Além do vírus da Zika e do H1N1, será que a caxumba também é uma preocupação às grávidas?

Números de casos aumentaram na Região Sudeste. Especialista explica o risco da doença em grávidas e em recém-nascidos

 

 

Um surto de caxumba no Sudeste está preocupando a população, especialmente as grávidas, que em menos de um ano já tiveram – ou ainda têm – que lidar com o medo da Zika e da H1N1. Em São Paulo, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, nos primeiros quatro meses de 2016, houve um aumento de 500% no número de casos de caxumba – doença contagiosa viral que provoca inchaço doloroso das glândulas na garganta. Enquanto em 2015 foram identificados e registrados 41 casos, no mesmo período desse ano, foram 275.

 

Embora os casos se concentrem mais em São Paulo, a preocupação se estende para os demais estados, especialmente porque é uma doença contagiosa e logo teremos férias escolares e Olimpíadas no Rio, em que haverá um intenso tráfego de pessoas em aeroportos, rodoviárias e pontos turísticos, preocupando os especialistas. O gerente da UTI materno-fetal e da unidade semi-intensiva do Grupo Perinatal, Dr. Roger Rohloff, explica que o risco para gestantes é baixo, mas deve ser considerado em epidemias como esta de agora.

 

“A incidência de infecção pela caxumba em gestantes é considerada baixa, mas, em surtos como esse, o número pode aumentar. Normalmente, a caxumba ocorre nos primeiros anos de vida da criança ou em adultos que tiveram contato com essas crianças. Em 30% dos casos, a doença é assintomática e o tempo de incubação do vírus varia entre duas e três semanas no organismo”, explica o especialista.

 

Segundo o médico, se a gestante contrair a doença durante a gravidez, ela provavelmente terá os mesmos sintomas que qualquer outra pessoa que não esteja grávida, que são: inchaço e dor nas glândulas salivares (paroditite), febre, dor de cabeça, fadiga e fraqueza, perda de apetite e dor ao mastigar e engolir. Nos primeiros meses, não há risco para o bebê, entretanto, se a gestante contrair a caxumba poucas semanas ou dias antes do parto, sim. “O que pode acontecer é que a criança pode nascer infectada se a doença for contraída no final da gestação. Não é tão comum, mas existe essa possibilidade o que pode trazer complicações e uma delas é a respiratória, como por exemplo, a pneumonia nos recém-nascidos”.

 

Com relação ao risco de aborto, o médico diz que já alguns anos já houve estudos devido a algumas suspeitas, mas eles não foram bem desenvolvidos e tiveram a metodologia criticada na época. “Na década de 60, houve um aumento do número de interrupções e diziam que eram associados à caxumba, mas pesquisas posteriores não confirmaram essa informação. Mesmo assim, mediante o surto, as grávidas devem ficar em alerta, principalmente no primeiro trimestre da gravidez”, diz Dr. Roger.

 

Vacinação

 

Quanto à vacina, o médico diz que a Tríplice Viral – vacina que protege contra Sarampo, Rubéola e Caxumba –, não deve ser aplicada em gestantes. “Essa vacina é composta por vírus vivos s e por razões teóricas não deve ser administrada em grávidas, embora não exista certeza se pode realmente afetar o organismo fetal. Caso seja aplicada em mulheres em idade reprodutiva, a gravidez deve ser evitada por cerca de 30 dias”, explica o especialista, que termina recomendando que “todas as gestantes, que residam nas cidades onde tem o surto, evitem o contato com pessoas infectadas”.

 

Entre as precauções para evitar a doença, é aconselhável lavar sempre as mãos, usar álcool em gel, desinfetar superfícies e objetos (como brinquedos) contaminados, evitar ambientes fechados e o contato com saliva e secreções das vias aéreas de pessoas com caxumba.

 

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